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VOCÊ ACREDITA NO AMOR?

Pelas ruas de Buenos Aires, revendo conceitos.

Acreditava no amor.
Mas não como a maioria das pessoas achava que ele devia ser.
Não acreditava em padrões.
‘Se as pessoas eram todas diferentes, como os relacionamentos não seriam?’

 

Acreditava no amor.
E no amor próprio em primeiro lugar.
‘Pra amar os outros como a si mesmo tem que se amar primeiro.
Não dá pra ficar dependendo do amor dos outros.’

 

Acreditava no amor.
E também na liberdade.
E foi sozinha para Buenos Aires.
No primeiro dia, foi à Casa Tijuana, em Abasto, com um amigo, uma festa de música latina com uma galera bem paz e amor.

 

Casa Tijuana – festa no El Emergente bar – Buenos Aires

 

Acreditava no amor.
Mas não deu importância quando viu aquele cara bonitão no bar.
Nem se comoveu quando ele perguntou o que ela estava bebendo.
Só começou a reparar melhor quando ele resolveu acompanhá-la na saída.
Trocaram telefones enquanto comiam um pancho con papas.

 

Acreditava no amor.
Mas não estava muito preocupada se ele ia ligar mesmo no dia seguinte.
Tinha tantas coisas para descobrir e fazer na cidade.
Quando o atendeu, foi com muita leveza.
E acabou aceitando o convite para a festa da Lua Cheia, ao lado do Planetário.

 

Planetário de Buenos Aires – Luis Argerich – Wikimedia(CCBY2.0)

 

Acreditava no amor.
E a noite enluarada tornava a cena perfeita.
As pessoas rodando em bambolês e fazendo pirofagias deixavam o clima mais mágico.
Grupos sentados ou em pé, rindo, bebendo e conversando davam o tom de descontração.

 

Acreditava no amor.
Mas conversou horas com o bonitão antes de um primeiro beijo.
Não por trauma ou por medo,
Só por profundo desejo de conhecer ainda mais.

 

Acreditava no amor.
E nos dias posteriores gastou todo seu portunhol com o bonitão.
Y intentava aprender español con él.
Foram juntos a um cine na Calle Florida, passearam no Rio de la Plata, beijaram-se no Jardim Japonês.

 

Jardim Japonês de Buenos Aires – Luis Argerich – Wikimedia(CCBY2.0)

 

Acreditava no amor.
E estava imensamente feliz com a companhia do bonitão,
Desfrutando de cada momento.
Mas reconhecia que eram muito diferentes.
Seus objetivos de vida, seus valores, seus pontos de vista.

 

Acreditava no amor.
O que ela não acreditou foi quando ele pediu a ela pra ficar.
Estava apaixonado.
E parecia não distinguir amor de paixão.

 

contemplando o rio – tazakart – pixabay

 

Acreditava no amor.
Mas quando chegou a hora de ir embora, explicou a ele:
Não acreditava em felizes para sempre.
O que acreditava é que sempre podiam ser felizes.
A qualquer momento, a toda hora, por tudo e por nada.
Porque o amor não está no outro, está dentro da gente mesmo.
E em tudo.

 

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DICAS E COMENTÁRIOS DA ESTANTE:

Casa Tijuana

Parece ser o nome do lugar, mas na verdade, Casa Tijuana é o nome da festa de música latina que acontece toda segunda-feira no El Emergente Bar, na Calle Gallo 333 (bairro de Abasto), em Buenos Aires. Em um ambiente supercolorido, reúne-se gente de toda parte do mundo para dançar ao som de bandas ao vivo e DJ’s, que tocam músicas do México, Colômbia, Peru, Argentina e, claro, Brasil. O local ainda tem mesas de ping-pong e de penbolim (totó ou fla-flu) e a entrada é gratuita, pagando-se apenas pela consumação.

pancho con papas

Entre as populares comidas vendidas nas ruas (comidas callejeras), o pancho é uma das opções mais típicas na Argentina e no Uruguai. A diferença para o cachorro-quente brasileiro, é que a versão dos hermanos costuma ser bem menos incrementada, sem complementos além do pão, da salsicha e das papas (neste caso, batata-palha); exceto pela maionese ou ketchup, os argentinos não costumam colocar molhos nem outros adicionais no pancho. Em Buenos Aires é comum encontrar lojas de conveniência (kioskos), algumas até 24h, vendendo a iguaria; opção muito apreciada por jovens de bolsos e estômagos vazios, após saírem das festas que vão madrugada adentro.

festa da Lua cheia

Conhecida como Encontro dos Tambores na Lua Cheia, a festa já virou tradição entre os moradores da cidade. Todas as luas cheias, atrás do Planetário de Buenos Aires, centenas de portenhos reúnem-se, levando instrumentos musicais e outros apetrechos, para dançarem, conversarem, beberem e se divertirem iluminados pelo luar. O evento é em local aberto e de participação livre.

cine na Calle Florida

Restrita a pedestres e tendo cerca de 1 km de extensão, a Calle Florida é uma das principais ruas comerciais e turísticas de Buenos Aires. Uma de suas extremidades está na Av. Rivadavia, próxima a atrações como a Casa Rosada e o Café Tortoni; após dez quadras, chega-se à outra extremidade, na Plaza San Martín. Pelo caminho, lojas dos mais variados tipos, artistas de ruas, hermanos oferecendo câmbio de moedas, bancas de revistas, cores e mais cores, um movimento diurno incrível, além de um indescritível cheiro de palo-santo (madeira aromática muito usada como incenso na região), vindo das tendas de hippies e artesãos que aproveitam o vai-e-vem da Calle Florida para comercializar sua arte. Lá pelo meio da via, há ainda um acesso para as famosas Galerias Pacifico. E na rua também é possível encontrar bancos, restaurantes, cinemas e outros tipos de serviços.

Rio de la Plata

O chamado Rio da Prata é, tecnicamente falando, um estuário criado pelos rios Paraná e Uruguai, que desemboca posteriormente no Oceano Atlântico. Em Buenos Aires, ao longo da orla do Rio de La Plata, existem as Costaneras Norte e Sur, estradas costeiras servidas de largos passeios para pedestres, onde muitos ‘carritos’ oferecem sanduíches diversos, desde bondiolas (sanduíches de carne de porco) até choripans (sanduíches com linguíça/chorizo). Uma opção econômica e bem característica da cidade, com chances de aproveitar as belas vistas do rio no fim de tarde.

Jardim Japonês

Construído em 1967 pela comunidade japonesa de Buenos Aires, o Jardim representa um típico parque do japonês; é um ambiente bonito, tranquilo e aprazível, com alguns monumentos e esculturas, pequenas pontes sobre lagos com peixes e plantas de diversas espécies. No Jardim Japonês, são realizadas festas típicas, além de performances teatrais e recitais de música. E ainda existe no local um restaurante e uma biblioteca de assuntos nipônicos.

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