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UM ROTEIRO CHEIO DE SINAIS

 

Semáforos do mundo,
sinais da vida.

 

 

 

CENA 1: OUVINDO SINAIS.

 

 

Brasil, 2005.

Olga, 21, em rua de Brasília.

Figurino: jeans, camiseta e mochila.

Externa – rua W3 Sul – semáforo no SDS, em frente ao shopping Pátio Brasil.

Olga irritada, de TPM, voltando da UnB rumo ao shopping, pronta pra atravessar a rua.

 

“Por que fui esquecer meu fone de ouvido logo hoje que eu to de TPM? Essa rua é a maior zona. Se eu ainda conseguisse praticar a tal da empatia que o professor falou hoje na aula… Mas como é difícil se colocar no lugar do outro, né?! De TPM, então…”

 

Os pensamentos de Olga são interrompidos pelo barulho do semáforo, que começa a apitar, ao ficar verde para os pedestres.

Olga tapa os ouvidos, demonstrando irritação.

 

Entra personagem cega, atravessando a rua de bengala.

Olga a vê e muda de expressão.

Compadecida, consegue sentir empatia pela personagem cega, deixando de lado a irritação com o barulho do semáforo.

 

semáforo sonoro – JuliaChequer-R7

 

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CENA 2: SINAIS EM MOVIMENTO.

 

 

França, 2010.

Olga, 26, em rua de Fontaine de Vaucluse, de férias pela região da Provença.

Figurino: vestido leve, pashmina e chapéu.

Olga está no banco do passageiro de um carro popular, dirigido pela amiga Rosana, 30.

As duas param no semáforo vermelho.

 

“Rô, olha isto: o semáforo é móvel”.

 

semáforo móvel em Fontaine de Vaucluse – França – Estante de Viagens

 

Rosana ri de Olga e comenta:

 

“Pra você ver, Olga: nem os semáforos ficam mais parados hoje em dia. Vê lá que você também tem que se mexer. Agiliza logo esses papéis e vem fazer seu mestrado aqui na Europa, amiga. Olha que isso é um sinal, hein”.

 

As duas riem do duplo sentido da frase.

Mas logo em seguida, Olga se põe pensativa.

 

 

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CENA 3: DE OLHO NOS SINAIS.

 

 

Amsterdam, 2012.

Olga, 28, em cruzamento, pronta para atravessar.

Figurino: jeans, sobretudo e mala de rodinhas com bandeira do Brasil.

Externa, rua próxima à canal com ponte levadiça.

Olga contemplativa, esperando o semáforo de pedestres abrir, observa um barco que navega pelo canal. O barco para e a ponte levadiça, à frente dele, começa a subir para dar passagem a um cargueiro.

 

“Puxa, agora é que eu reparei: aqui em Amsterdam tem semáforos para os carros, para os pedestres, para as bicicletas e até para os barcos. Afinal, navegar é preciso. E pelo jeito, parar de vez em quando também é preciso…”

 

semáforo náutico em Amsterdam – Estante de Viagens

 

Olga ri sozinha de suas próprias conclusões.

O sinal de pedestres abre. Olga começa a atravessar, mas para no meio da pista e questiona a si mesma:

 

“Será que isso tudo é mesmo um sinal? Será que devo parar aqui em Amsterdam e nem ir pra faculdade em Berlim?”

 

Figurantes em volta reparam, de leve, na protagonista falando sozinha (gague).

 

No canal ao lado da rua, o cargueiro passa, a ponte se fecha, o sinal abre e o outro barco segue seu caminho.

 

ponte fechada após passagem do barco, em Amsterdam – Estante de Viagens

 

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CENA 4: APRENDENDO COM OS SINAIS.

 

 

Berlim, 2012.

Olga, 28, em cruzamento, pronta para atravessar.

Figurino: calça de malha, blusa de lã e bolsa estilo mochilinha.

Externa, rua próxima à Alexanderplatz.

Olga repara na excêntrica figura acesa no semáforo.

 

Ampelmann em Berlim – Estante de Viagens

“Olha, é o Ampelmann, o bonequinho do semáforo criado na Alemanha Oriental que agora virou símbolo cult e atrativo turístico da cidade. Que gracinha! Mas o que será que esse sinal quer dizer? Será que é sobre os aprendizados que eu vim ter aqui em Berlim? Será que é uma confirmação para os meus estudos aqui?”

 

 

Enquanto faz a si mesma todas essas perguntas, Olga continua a caminhar pela capital alemã, com suas ruas largas e espaços amplos.

 

 

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CENA 5: APAIXONADA PELOS SINAIS.

 

 

Berlim, 2012, apenas alguns minutos depois.

Olga, 28, andando pela rua e observando tudo.

Figurino: igual CENA 4.

Externa, chegando à Potsdamerplatz.

Olga observa um casal vindo do outro lado da rua. Ela para de um lado da rua para esperar o semáforo abrir. O casal para do outro lado. Olga olha para o semáforo e percebe que o homem do outro lado também repara na luz vermelha de formato característico.

 

“Gente, que homem lindo, pena que está acompanhado. Aliás, ele não parece um pouco com o Ampelmann? Com esse chapéu… E… e esse semáforo de coração aqui…???”

 

semáforo em Berlim – tomgirl/pxb

 

Quando Olga volta a si de seus pensamentos, percebe que andou automaticamente até o meio da rua quando o sinal se abriu. E agora o casal está ao seu lado.

O homem parado, olha para Olga.

Falando em alemão, ele pede à mulher que o acompanha:

 

“Schwester, kannst Du dieser schönen Frau Name fragen, bitte? Dieses Ampel in Herzform nur kann ein Seichen sein”.

(Irmã, você pode perguntar o nome desta bela mulher, por favor? Este semáforo em forma de coração só pode ser um sinal.)

 

A irmã ri dos devaneios do irmão, mas dirige-se à Olga simpaticamente, em inglês, perguntando seu nome e convidando-a para acompanhá-los um pouco, quem sabe tomar um café no Sony Center.

 

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DICAS E COMENTÁRIOS DA ESTANTE:

 

W3 Sul/SDS/Pátio Brasil/UnB

Na capital brasileira, muitos endereços e nomes são abreviados, formando siglas. Além disso, as ruas e endereços, geralmente são denominados de acordo com sua localização geográfica. Assim, as ruas ao Leste do Eixo Rodoviário (Eixão) são denominadas L1, L2, L3, etc., enquanto as ruas ao Oeste (West, em inglês) são a W1, W2, W3, etc. Cada uma dessas vias ainda é reconhecida por Norte ou Sul de acordo com sua localização do Eixo Monumental (o eixo central do avião). Portanto, W3 Sul refere-se à terceira rua a Oeste do Eixão, em sua porção ao Sul do Eixo Monumental (para ter melhor noção, imagine um jogo de batalha naval).

Como a cidade é planejada e bem setorizada, a maioria das siglas começa com S de setor. No caso, SDS quer dizer Setor de Diversões Sul, uma localidade central com shoppings, restaurantes e comércios variados. O maior shopping dessa região é o Pátio Brasil.

 

um dos shoppings de Brasília – LuisDantas/wikicommons

 

UnB, por sua vez, é a Universidade de Brasília, instituição pública federal com 4 campi espalhados pela capital, considerada uma das 10 melhores universidades do país.

Fontaine de Vaucluse/Provença

A região da Provença, na França, estende-se desde o Mont Thabor, no interior do país até as ilhas ao Sul de Saint-Tropez. E desde o Parque Camargue, ao Oeste, até o Parque da Ligúria, ao Leste. No interior da região, o Luberon é a essência da Provença – uma área de montanhas verdejantes, com vilas encantadoras.

Fontaine de Vaucluse, por exemplo, é uma cidadezinha de apenas 600 habitantes, onde nasce o Rio Sorgue. Aliás, trata-se da maior nascente da França e da quinta maior do mundo. O manancial é subterrâneo, mas as águas cristalinas emergem em Fontaine de Vaucluse, dando um charme ainda maior à acolhedora cidadezinha de arquitetura provençal.

Fontaine de Vaucluse /França – Estante de Viagens

 

o semáforo é móvel

Com lâmpadas de LED e alimentação por bateria (além de painéis de energia solar, em alguns casos), o semáforo móvel é uma alternativa, geralmente utilizada em manutenções semafóricas, acidentes, estreitamentos de pistas reversíveis, obras, passeatas, etc. No caso do equipamento citado nesta história, porém, a adoção do semáforo móvel ao invés do fixo parecia estar mais ligada à preservação das características bucólicas da cidade de Fontaine de Vaucluse.

ponte levadiça

Na cidade de Amsterdam, há 1.281 pontes. Há pontes de pedra, de madeira e de metal; curtas e extensas; retas e com arcos; pontes estáticas e levadiças; algumas exclusivas para pedestres e bicicletas, outras para carros e também de uso misto. As pontes são vias que fazem parte do cotidiano amsterdanense, organizadas e sinalizadas como toda a cidade. 

[semáforos] até para os barcos

Além de servirem de moradia para quem vive nas famosas casas-barco, os canais de Amsterdam são vias funcionais de transporte. Pelos 165 canais da cidade trafegam embarcações de portes variados, desde caiaques esportivos e pequenos barcos turísticos até grandes navios cargueiros. Funcionando como estradas líquidas, incluindo cruzamentos diversos, os canais de Amsterdam também contam com sinalização regular de trânsito.

Aliás, conforme citado nesta história, a cidade holandesa tem sinalizações específicas também para os pedestres, para as bicicletas e para os automóveis. Ou seja, o sistema de trânsito de Amsterdam é bem organizado e o holandês, em geral, costuma ser bastante respeitador das normas de trânsito. Destaca-se apenas o tráfego intenso de bicicletas. Quer saber mais sobre este assunto? Leia também:

RECENSEAMENTO

Alexanderplatz

Platz, em alemão, é praça. E a Alexanderplatz é uma das maiores e mais centrais de Berlim, onde encontra-se comércio variado, interligação de transportes públicos (terminais e estações de trem, metrô, bondes e ônibus), além da Torre de TV, da igreja Marienkirche, do relógio mundial e da Fonte da Amizade Internacional, entre outros monumentos e prédios públicos. O local concentra também uma variada população de comerciantes, moradores, transeuntes, turistas, etc. Ou seja, costuma ser bastante movimentada, com todo tipo de gente, inclusive, pode ser bom ter mais atenção ao andar por aí durante a noite. Como todo grande centro com alta afluência de pessoas, é bom estar atento para evitar contratempos.

Ampelmann

Ampelmann quer dizer, literalmente, “homem do sinal”, em alemão. Trata-se da silhueta de um homem usando um chapéu, símbolo criado pelo psicólogo de trânsito Karl Peglau, em 1961, na Berlim Oriental, para implantação da sinalização de trânsito para pedestres na porção comunista da cidade. Após a queda do Muro e reunificação de Berlim, houve uma tentativa de padronizar os semáforos, abolindo a figura do Ampelmann. Mas, após protestos populares e manifestações públicas, o bonequinho foi mantido em diversos sinaleiros, sendo acrescentado, inclusive, em alguns distritos ocidentais de Berlim. Atualmente, o Ampelmann já é tido como um dos símbolos cult da cidade, vendido em souvenirs turísticos (como canecas, luminárias, chaveiros, etc.) e ganhou até uma versão feminina, a Ampelfrauen.

ampelmann shop – lisaampelfrau/flickr

 

Potsdamerplatz

A Potsdamer Platz é um dos locais mais movimentados e visitados de Berlim; uma importante praça e interseção de tráfego (a exemplo do Piccadilly Circus, em Londres ou da Time Square, em NY). Devastada durante a Segunda Guerra Mundial, a área passou por uma acelerada e intensa reconstrução arquitetônica – época em que tornou-se o maior canteiro de obras do continente. Em 1990, Roger Waters fez o famoso show “The Wall” exatamente nessa praça. E atualmente, a Potsdamer Platz voltou a ser um centro agitado, reunindo, agora, construções modernas, de arquitetura arrojada, além de diversas opções de lazer e entretenimento, como cassino, shopping e cinemas.

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NASCIDO E CRIADO EM BERLIM

Sony Center

O Sony Center ocupa a segunda maior parte da Potsdamer Platz. O centro comercial foi projetado para ser como uma cidade virtual, com arquitetura moderna e arrojada, abrigando lojas, restaurantes, escritórios, flats e cinemas (inclusive um IMAX 3D). Vale a pena visitar o local para aproveitar suas atrações e para entender a nova cara da Berlim, moderna, reconstruída pós-II Guerra. A entrada no Sony Center é gratuita, sendo cobradas apenas suas atrações. A Potsdamer Platz é acessível por ônibus, trem ou metrô.

 

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