Sorrento - kirkandmimi - pixabay - literatura de viagens

SUL DA ITÁLIA

Un piccolo poema.

Ao pé das montanhas, na beira do mar,
Com tantas artimanhas, que é de se admirar,

Comendo Scialatielli e Collatura di Alici di Cetara,
Vive uma multidão que não se pode contar.

Scialatielli com frutos do mar – NathanGray/pxb

Percorrendo a Marina Grande e a Marina Picolla,

Caçam, dormem e fazem peripécias
entre suas praças e vinícolas.

Dissipando entre os penhascos, suas sete vidas.

Marina Grande – Estante de Viagens

Já longínquo seu passado glorioso,
nas ruas, distraem-se entre lambidas.

Pelo faro, identificam os amigos
que lhes trazem comida.

A cidade que toda essa multidão abriga,

Outrora foi pescadora, agora é turística.
Tem futuro promissor e beleza mística.

Destino estratégico para explorar
desde Naples até a Battipaglia.

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É a pátria de Torquato Tasso,
onde Nietzsche foi se inspirar.

Uma cidade poética e artística,
que aos visitantes intriga,

Com seus gatos de rua
por todos lados a se espalhar.

Gatos em Sorrento – LaDolceVita

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DICAS E COMENTÁRIOS DA ESTANTE:

Scialatielli e Collatura di Alici di Cetara

Scialatielli é uma massa típica da Costa Amalfitana, um pouco mais grossa e curta que o tradicional spaghetti. Na região, a receita mais comum é acompanhar o scilatielli com molho de frutos do mar, incluindo mariscos, mexilhões e camarões, além de condimentos próprios. Já a Collatura di Alici di Cetara é um verdadeiro destilado dos mares. Considerada a herdeira do antigo garum romano, a Collatura é feita a partir da prensagem da anchova com sal marinho, de onde se extrai um líquido que é exposto à ação do sol e posteriormente filtrado em estrados do peixe. O resultado é um concentrado de mar capaz de dar sabor à diversos tipos de pratos (massas, risotos, etc.) com apenas algumas gotas.

 

a Marina Grande e a Marina Picolla

As marinas são pontos famosos da cidade de Sorrento. Para quem trafega na direção de Nápoles para Sorrento (Norte —> Sul), a Marina Piccola é a primeira no caminho e a Marina Grande, a segunda. A Marina Grande é o mais próximo de uma praia que existe em Sorrento. Na verdade, trata-se apenas de uma faixa de areia estreita, bem ao lado do molhe, onde ocasionalmente postam-se alguns guarda-sóis e espreguiçadeiras. O local é rodeado por alguns restaurantes de frutos do mar (servidos frescos), barcos de pescador e construções de cor pastel.

suas praças e vinícolas

A cidade de Sorrento é pontilhada por várias e belas praças. A mais famosa delas é a Piazza Tasso, bem no centro da cidade. Construída em 1886, a Piazza Tasso é cercada de edifícios históricos, como a igreja barroca de Santa Maria de Carmine. Trata-se também de um dos mais movimentados pontos da cidade, rodeado de restaurantes e cafés, com muitas mesas na calçada. Apenas tenha atenção aos preços, afinal, quanto mais turístico o local, mais costumam cobrar. Sobre as vinícolas, há algumas na própria cidade de Sorrento, como a Azienda De Angelis, além de outras a poucos km. Oportunidades certeiras para deliciar-se com o terroir local e aproveitar todas as paisagens de uma das estradas mais cênicas da Itália.

passado glorioso

A expressão —passado glorioso— relaciona-se aos personagens principais do texto: os gatos de Sorrento. A referência diz respeito ao período helenístico, quando o gato generalizou-se no espaço da Magna Grécia (denominação que recebia o Sul da península itálica – onde está Sorrento – na Antiguidade, quando colonizada pelos gregos). Trazidos do Egito, onde eram sagrados, os gatos chegaram à Magna Grécia para substituir doninhas, gambás e fuinhas na caça aos roedores, sendo considerados bem mais agradáveis à companhia doméstica. Curiosamente, muitas vezes, nessa época, os gatos eram trazidos do Egito como caros presentes oferecidos às cortesãs.

trazem comida

Alguns moradores e viajantes mais prevenidos costumam alimentar os gatos de rua de Sorrento, garantindo a sobrevivência dos bichanos e ajudando a manter a cidade livre de roedores.

turística

Cidade de provável origem grega, Sorrento era famosa, na Antiguidade, por seu vinho, sua pesca e seu artesanato. Com o desenvolvimento do comércio e do turismo, a economia sorrentina baseia-se hoje, principalmente, no turismo cultural e de praia (já é um dos principais pontos turísticos ao Sul da Itália), destacando-se também a agricultura de gêneros como a uva e o limão, que dão origem aos famosos vinhos e limoncellos (licor de limão) produzidos na cidade.

desde Naples até a Battipaglia

Turisticamente, a cidade de Sorrento constitui-se em uma ótima base para explorar a região Sul da Itália. Para começar, apenas 26 km ao Norte de Sorrento, está a arqueológica Pompéia, e outros 24 km depois, Nápoles (Naples, em italiano). A Leste de Sorrento, encontra-se a Costa Amalfitana, famosa por cidades como Positano e Ravello. Seguindo adiante, está a província de Salerno (onde localiza-se a comuna da Battipaglia, usada no texto para delimitar a região). Além disso, Sorrento é também um dos pontos para embarcar para a mítica ilha de Capri. Bem servida de transportes diversos, como trens, ônibus e ferrys, a cidade de Sorrento oferece fácil acesso às famosas vizinhas, além de uma acolhida impressionante.

Leia este poema sobre a Ilha de Capri: Do Capo ao Solaro 

Torquato Tasso

Foi um poeta clássico renascentista, nascido em 1544, em Sorrento. Sua obra mais famosa é —Jerusalém Libertada— em que Torquato Tasso retrata uma imaginativa versão dos combates entre cristãos e muçulmanos, durante o Cerco de Jerusalém, ao final da Primeira Cruzada. Sofrendo de distúrbios psíquicos, o poeta morreu em 1595, dias antes de ser coroado pelo Papa como o rei dos poetas. Até o início do século XX, Tasso permaneceu sendo um dos poetas mais lidos de toda a Europa. Para homenagear um de seus maiores prodígios, Sorrento conta com um monumento dedicado ao poeta em umas esquinas da Piazza Tasso, que aliás leva o nome do ilustre cidadão.

Nietzsche foi se inspirar

Não há dúvidas de que a beleza de cidade de Sorrento é inspiradora. Muitos escritores e artistas já visitaram o local em busca de inspiração, como George Byron, Ibsen e Leon Tolstói. O caso de Nietzsche, porém, foi singular, pois a visita do filósofo à Sorrento, em 1876, marcou uma autêntica virada em sua trajetória intelectual, época em que Nietzsche iniciou a escrita das obras Humano e Demasiado Humano. O tema, inclusive, foi explorado recentemente pelo escritor Paolo DIorio no livro -Nietzsche na Itália-, que mistura biografia, relato de viagem e interpretações filosóficas.

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