galés bombinhas, literatura de viagem, estante de viagens

SÓ VOCÊ MESMO, AMOR

Acampados em Bombinhas/SC.

– E se eu disser que eu esqueci a lona da barraca?

– Você não tá falando sério, né?!

– To. Esqueci.

– E lembrou numa ocasião muito propícia, hein: no engarrafamento, a caminho do camping, bem quando começa a chover. Só você mesmo, amor.

– Pô, mas a previsão pro feriado não era de chuva.

– Eu espero que essa chuva passe logo mesmo. Não sei nem o que tem pra fazer em Bombinhas se não estiver sol.

– Hmmm, vamos ver… Acho que tem uns museus, a Vila do Engenho e o Engenho do Sertão que são açorianos e o Museu do Mar, se não me engano. Ah! Tem até um aquário marinho neste último. Mas tem que ver se estão em atividade…

– Ah, eu tinha pensado em fazermos umas trilhas. A do Morro do Macaco, dizem que é linda.

– Lindas são as praias e as ilhas. Mas se a chuva continuar, não sei se vão sair barcos pra Reserva do Arvoredo.

 

Ilha das Galés – Reserva do Arvoredo – Gregório Rodrigues – WikimediaCommons – CC BY 3.0

– Como pode? Toda essa chuva e já passamos por quatro campings lotados.

– Lotados e encharcados, eu diria… Não sei, amor. Sei que estou ficando com fome.

– E se passássemos no mercado para comprar algo e fôssemos para a praia fazer um piquenique?

– Na chuva, amor? Pirou? A gente é roots, mas não chega a tanto. Banho de lama é coisa de Woodstock. E aqui não tem o Hendrix.

– Kkkkkkkkkkkk. Usa a imaginação, sua boba. Eu paro o carro de frente para a praia, coloco o Hendrix para tocar no rádio e fazemos nosso piquenique dentro do carro, sem tomar chuva, enquanto decidimos sobre o camping.

– Tá. Toca pro mercado que eu to com fome.

– Adoro esse som do Hendrix; me faz viajar.

– Ei, não podemos ficar aqui viajando. Temos que arranjar um lugar pra acampar. Ou resolver voltar pra Floripa.

– Eu não queria voltar hoje pra Floripa, amora. A ilha está lotada neste feriado. E já enfrentamos o maior trânsito para chegar aqui em Bombinhas.

– Então, já que a chuva não para, vamos pelo menos dar uma volta de carro pelas praias próximas. Tem Bombas, Bombinhas, Quatro Ilhas, Mariscal, a Tainha…. vamos até Zimbros ou até a Vermelha. De repente, até lá encontramos um camping.

– Sim, senhora, senhora.

Vruuuummmmmm.

 

Canto Grande – Bombinhas – Leonardo Shinagawa – flickr(CC-BY-2.0)

– O que é aquilo? Um restaurante abandonado?

– O quê? Aquela casa ali?

– É! Vamos parar pra olhar?

– Tá louco, amor? Nem pensar.

– Tem certeza? Deve estar à venda. Talvez tenha uma varanda coberta. E é na beira da praia, amora.

– Nem pensar. Continua indo. Deve ter mais algum camping, sei lá.

– Amora, já olhamos uns dez campings, todos lotados e encharcados. E estamos sem lona.

– Por culpa sua, né?!

– Ok, culpa minha. Mas convenhamos, já está anoitecendo. E eu não aguento mais dirigir. Passamos o dia no carro…

– É, nisso você tem razão.

– Dá um voto de confiança pro seu amoro. Vamos voltar para olhar aquele restaurante, vamos?

– Tá bem. Mas você desce pra ir lá olhar.

– Você não vai acreditar nesse lugar, amora. Vem, desce do carro. Vou pegar a barraca.

– Olha, você é louco. E eu sou mais ainda de te seguir.

– Vai aqui pelo ladinho, anda. Tem uma varanda calçada e coberta logo ali, bem na beira da praia, perfeita para montarmos a barraca. Leva a lanterna. Eu já vou indo.

– Amooor, corre aqui, rápido.

– Ei, o que foi?

– Disfarça, mas acho que aquele homem na praia está vindo para cá.

– Fica tranquila. Deixa que eu resolvo.

– Ele está chegando. Disfarça.

 

– Boa noite, tchê.

– Oi, boa noite. Será que tem problema acamparmos aqui esta noite?

– Acho que não, tchê. Eu to dormindo aí dentro do restaurante faz três dia’. Falei com o cara da imobiliária que tá vendendo aí, mas como eu saio o dia todo pra trabalhar, ele disse que não tem problema.

– E você dormindo aí, não se incomoda com a gente acampado aqui?

– Claro que não, tchê. Querem um chimas? Vou fazer um pra nós.

 

– Gente boa o gaúcho, né, amora?

– Confesso que fiquei com medo no começo. Mas depois passou.

– Legal ouvir as histórias de um verdadeiro andarilho.

– Legal mesmo é acordar, abrir a barraca e dar de cara com esse mar, com essa areia, com essa praia. E depois de termos passado a noite sequinhos, sem pegar um gota de chuva. Tenho que dizer: adorei sua ideia improvisada de acampamento, amor.

– Viu? E ainda foi de graça. Tem que confiar mais no seu amoro.

– Kkkkkkkk. Só você mesmo, amor.

 

Mariscal – Bombinhas – Luis Gustavo Rosa – Wikimedia(CC-BY-2.0)

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DICAS E COMENTÁRIOS DA ESTANTE:

 

Vila do Engenho, Engenho do Sertão e Museu do Mar

A Vila do Engenho e o Engenho do Sertão são museus açorianos existentes em Bombinhas/SC, que preservam objetos e utensílios da época da colonização, como moinhos de farinha de mandioca desativados, balaios, lampeões, etc. O Museu do Mar, como o próprio nome diz, mostra a vida marinha e sua biodiversidade, apesar da estrutura simples.

Morro do Macaco

É possível fazer trekking de média dificuldade em uma trilha pelo Morro, com cerca de 30 minutos de duração. No topo, um mirante permite avistar a Reserva do Arvoredo, as praias de Canto Grande, Mariscal, Morrinhos, Zimbros e também as cidades de Tijucas, Governador Celso Ramos e Florianópolis.

Reserva do Arvoredo

Localizada a 6,5 km de Bombinhas, a Reserva do Arvoredo é o melhor ponto de mergulho autônomo do sul do Brasil, com uma grande biodiversidade para observação. Apenas operadoras credenciadas estão aptas a fazer os passeios, com várias restrições em relação à visitação turística.

Bombas, Bombinhas, Quatro Ilhas, Mariscal, Tainha, Zimbros e Vermelha

O município de Bombinhas tem 39 praias ao todo. Bombas e Bombinhas têm mar mais calmo e melhor infraestrutura, ideais para quem está acompanhado de crianças. Quatro Ilhas e Mariscal são mais procuradas por surfistas, devido às boas ondas. Canto Grande e Zimbros são praias de pesca artesanal, onde é possível comprar ostras e mariscos direto dos produtores. E ainda há muitas outras opções a explorar.

 

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