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PELAS ESTRADAS DA FRANÇA

As vantagens e desvantagens de um GPS.

– A 400 metros, vire à direita…
A 200 metros, vire à direita…
A 100 metros, vire à direita…
Vire à direita.

– Aaaaaaaahhhhh! – Paula gritou enlouquecida. – Não suporto mais essa mulher do GPS.

– Calma, amor.

– Ela acha que a gente não sabe onde está? Eu odeio ela!

– Você tá de TPM? Quer um chocolate?

A questão é que Paula não entendia porque o namorado, Rafael, se orgulhava tanto de ter no carro aquele aparelho “ultratecnológico” que ficava repetindo coisas tão óbvias com aquela voz irritante.

Rafael já tinha tentado trocar a voz do GPS e até silenciá-lo, nos dias mais críticos. Mas Paula só começou a entender as vantagens do aparelhinho quando os dois resolveram dar um giro pela Europa sobre quatro rodas, mais especificamente, a bordo de um motorhome.

Motorhome – by Estante de Viagens

O GPS não podia ficar de fora dessa aventura. Por insistência de Rafael (é claro!) resolveram levá-lo junto na bagagem. Assim, já economizavam uma parte da grana da locação. Prevenido, Rafael teve o cuidado de formatar o sistema do aparelho e baixar um mapa da Europa atualizado com locução em português.

Alugaram o motorhome na Alemanha, conectaram o GPS à entrada 12v do painel e saíram da locadora rumo ao restaurante. Chegaram em seis minutos e 20 segundos, sem se perder nem ter que perguntar a ninguém pelo caminho – guiados apenas por aquela voz que há pouco parecia tão irritante.

A partir de então, não precisavam se virar em mímicas e contorcionismos tentando perguntar onde era o cinema, o parque, o monumento… Digitavam no GPS e ele os levava. Buscavam as atrações próximas de onde estavam ou, com uma pequena ajuda da internet, digitavam a localização exata que buscavam e iam aonde queriam.

de motorhome pelas estradas da França – Estante de Viagens

Até que os três chegaram à França, onde a maior parte das estradas intermunicipais são pedagiadas e os preços de pedágios são bem salgados (ainda mais quando convertidos em reais). Só ao perceber isso é que procuraram e descobriram no GPS a opção de rotas sem pedágios. Ufa! Bendito aparelhinho ultratecnológico.

Começaram a seguir assim. A viagem, além de mais econômica, tornava-se mais interessante. Passavam por dentro das cidades em vez de ir pelas rodovias principais, iam mais devagar, admiravam as paisagens…, guiados sempre pela mulher do GPS, que já estava se tornando uma amiga de Paula quando Rafael não estava muito pra conversa.

– A 200 metros, vire à direita.

– Sério? O que vai ter lá?

– A 100 metros vire à direita.

– Calma, menina. Olha essa igreja, que linda.

– (…)

– Ei, fala comigo. É agora que vira?

– (…)

O GPS ficou mudo. Assim, de repente, no meio do nada e de lugar nenhum. Paula estava desconsolada. Rafael – mudo até então – começou a se preocupar:

– E agora? O que vamos fazer? Como vamos chegar à próxima cidade? Eu não sei nem voltar pra rodovia. Em que cidade a gente tá? Não tem placas aqui?

– Ei, calma. Quer um chocolate?

Paula tinha estacionado, levantado do banco e ido até a parte de trás do motorhome (a casa propriamente dita). Enquanto oferecia o chocolate ao namorado de TPM, procurava alguns fios. Acabou pegando tudo: celulares, carregadores, transformadores… Primeiro, encaixou o carregador na entrada 12v do painel e testou o celular. Não carregava.

– O fusível deve ter queimado – disseram ao mesmo tempo.

Rafael teve uma ideia. Conectou o GPS a uma medusa (uma espécie de carregador com diversas pontas para diferentes aparelhos). Ligou a medusa numa extensão e esta, por sua vez, num transformador de tomada para 12v que Rafael também tinha insistido em comprar para qualquer emergência. Assim, conseguiu ligar a extensão na entrada 12v de trás do motorhome. Problema quase resolvido. O GPS ligou, mas não chegava a encaixar no suporte do painel.

Paula teve que fazer as pazes de vez com o aparelho e levá-lo no colo até consertarem o fusível. Foi o próprio GPS que os guiou até a elétrica mais próxima.

– A 100 metros, você vai chegar ao seu destino.

transformador ligado à entrada 12v na parte de trás do MH – Estante de Viagens

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DICAS E COMENTÁRIOS DA ESTANTE:

 

já economizavam uma parte da grana da locação

Alugar um motorhome custa um preço X (dependendo do tamanho, modelo, locadora). Mas a maioria das locadoras oferece também outros acessórios para aluguel (louça, roupa de cama, GPS, entre outros) que pode encarecer esse valor X. Além disso, tudo que for alugado deve ser devolvido limpo, sem arranhões, como foi entregue pela locadora. Portanto, talvez seja preferível pensar em levar alguns itens de casa. Só não deixe de considerar o espaço e o peso de cada item que pensar em levar.

baixar um mapa da Europa atualizado/GPS

Mesmo que o aparelho tenha sido comprado no Brasil, não há nada que impeça o uso do mesmo GPS no exterior. Fabricantes famosos de GPS, como Garmin e Tom Tom disponibilizam em seus sites mapas internacionais para download. Baixe-os no aparelho e pronto (confira se há espaço suficiente no GPS, se não, substitua o mapa brasileiro atual pelo internacional e faça a troca novamente ao voltar). Vale conferir também se os mapas para o exterior estão em Português ou na língua nativa.

Sites para baixar mapas: http://www.viajantes.com/artigos/1385-saiba-de-que-sites-baixar-mapas-para-gps

Como usar o GPS no exterior: http://www.zoom.com.br/navegador-gps/deumzoom/como-usar-o-gps-no-exterior 

Alugaram o motorhome

Alugar um motorhome em outro país é tão simples como alugar um carro no Brasil. Em geral, você só precisa:

– de um cartão de crédito (internacional, nesse caso) com limite suficiente
– e de uma CNH válida (para veículos de até 3m. de comprimento, vale a tipo B mesmo).

O pagamento da reserva, se necessário, é a única etapa que pode envolver algumas burocracias bancárias extras. Fora isso, você pode pesquisar os preços e modelos em sites de locadoras do país de destino.

Em geral, os preços variam de acordo com a categoria do motorhome (assim como no caso do aluguel de carros), sendo que cada categoria costuma incluir modelos destinados a um determinado número de pessoas (ex.: categoria A – modelos para até 3 pessoas; categoria B – modelos para até 4 pessoas; e assim por diante).

O preço diário também é menor quanto mais longa for a locação do veículo. E o valor total pode incluir outros itens de locação (louça, roupa de cama, GPS, entre outros), além de seguros e taxas.

Buscavam as atrações próximas de onde estavam

A maioria dos aparelhos de GPS possui uma função para buscar atrações próximas ao local onde se encontra. Em geral, há diversas categorias, desde funcionais, como hospedagens próximas, postos de combustível próximos, até categorias relacionadas a lazer, como pontos turísticos próximos, parques próximos, etc.

França/a maior parte das estradas intermunicipais são pedagiadas

Na França, há estradas com e sem pedágios. As estradas tipo A – com pedágios – tem velocidade média de 130 km/h. Você retira um ticket em um guichê no início da estrada e precisa guardá-lo para apresentar ao sair da estrada, pois o valor cobrado é proporcional à distância percorrida. Além disso, é preciso ter atenção pois há diversos tipos de guichês para pagamento, alguns para caminhões, outros para carros, alguns para pagamento com cartão automático, outros para pagamento em dinheiro (simples depósito em uma caixinha pendurada no guichê, sem cobradores) e outros ainda para pagamento em cartão de crédito (em alguns casos é preciso comunicar-se com a atendente por auto-falante e passar o número do cartão e data de expiração).

Rotas sem pedágios/além de mais econômica, tornava-se mais interessante

As estradas tipo D – sem pedágios – vão por dentro das cidades; podem ter um visual bem mais interessantes, mas também podem ser bem mais longas (mais distantes de um ponto ao outro) e mais demoradas, já que a velocidade média é de 60 km/h e às vezes de 40 km/h. Antes de se decidir por estradas com ou sem pedágios, vale analisar a distância (e o gasto de combustível), além do tempo gasto em cada uma (e da pressa).

a entrada 12v de trás do motorhome

Normalmente, os motorhomes não possuem divisórias entre os bancos de motorista e passageiro e a parte de trás, onde fica a casa em si (mesa, fogão, frigobar, etc.). Assim, é possível ter acesso a tudo, mesmo enquanto o veículo está em movimento, inclusive a entradas de 12v (as mesmas encontradas no painel de um carro comum), tomadas e outras fontes de energia.

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Confira esta outra história a bordo de um motorhome:

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