Fuerza Burta Dede vargas - flickr - literatura de viagens

FUERZA BRUTA

Um espetáculo para todos os sentidos.

 

 

BOOOMM!

 

Tudo começou com uma explosão.

Papéis picados no ar.

Todos de pé, segurando nas mãos seus copos de plástico, com cerveja, água ou Fernet com Coca.

Susto!

 

 

A percussão atacou.

Batidas, batuques, tambores, atabaques, gritos, ritmo.

A festa estava formada.

 

 

E o sonho começou.

As paredes se fecharam.

O público amontoou-se no meio.

Ondas de papel laminado cercavam as pessoas, refletindo tons em degradê do rosa ao azul.

 

 

De repente, ninfas saltitavam nas paredes.

Acrobatas n’uma dança new age.

Perseguiam-se.

Rodopiavam no ar.

A 90 graus do chão, corriam e riam-se sem parar.

 

 

 

 

E a multidão se abriu.

 

No centro, um homem andava.

Seguia sempre em frente, cotidianamente.

O homem seguia.

Caminhava.

Corria.

Mais rápido e mais rápido.

Corria.

Um tiro.

BOOOMM.

Sangue.

 

 

Escuridão.

Outro homem.

Ou o mesmo?

Não, este tinha roupas limpas.

E seguia a caminhar.

 

 

Vivo.

Seguia em frente.

 

 

Cadeiras ultrapassavam seu caminho.

Obstáculos.

Pessoas vinham.

Pessoas iam.

Alguns contra, outros a favor.

O homem seguia.

 

 

Sempre em frente, cotidianamente.

Caminhava.

Corria.

Mais rápido e mais rápido.

Corria.

Um tiro.

BOOOMM.

Sangue.

 

 

Era sonho?

E essa sensação de que as coisas são realmente assim?

 

 

O teto começou a afundar.

Descia.

Des-

-cia.

D

e

s

c

i

a.

 

 

“No le pongan las manos”

E uma luz.

 

Era transparente o teto.

E sobre ele, havia vida.

Explosões de vida e cor.

E luz.

Luzes coloridas.

 

 

Numa lâmina de água, corpos femininos deslizavam sobre o teto.

Sim, sobre e não sob.

Acima do teto havia vida.

E luz.

E um pulsar.

Uma movimentação de ir e vir.

Um deixar-se levar.

Um deixar-se fluir.

 

 

 

 

Abaixo disso, não se pensava mais.

A plateia não se via.

Se distraía.

Abstraía.

 

Até que um homem quis descer.

E mergulhou do teto de cabeça.

Por um tubo que ia até o chão.

 

 

Mas o vento estava contra…

Mas o homem tentava…

 

 

Mais o vento empurrava para cima.

Mais o homem fazia força para baixo.

 

 

Ia contra a natureza?

Ia do teto ao chão, de cabeça, agarrando-se com as mãos.

Ia contra o vento.

 

 

 

 

E de repente, não existia mais tubo.

Ele estava lá, suspenso.

O homem.

Voava.

E sobre o teto, havia vida.

 

 

Pessoas vinham.

Pessoas iam.

De buracos, alguns caíam.

 

Mas permaneciam suspensos.

Levitavam?

Ou eram nossas mentes que já voavam com tantas sensações?

 

 

Levavam alguns da plateia.

Era a tal interação.

E pra que mais interação com tanta ação por todos os lados?

 

 

Era de fazer delirar os sentidos.

 

Mas posso afirmar que tudo realmente aconteceu.

Foi no Centro Cultural Recoleta.

Em setembro de 2014.

 

 

Só que acontece de um jeito para cada um.

 

Afinal, não se trata apenas de um espetáculo.

É uma Fuerza Bruta que mexe com todos os sentidos.

 

 

 

 

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DICAS E COMENTÁRIOS DA ESTANTE:

Todos de pé

O espetáculo mencionado na história, em muitos pontos, difere dos espetáculos tradicionais. Para começar, o público assiste a todo o espetáculo de pé. Não há cadeiras ou assentos. E durante a apresentação, o público pode ser solicitado a mover-se e/ou participar de algumas cenas.

copos de plástico

Outro diferencial do espetáculo Fuerza Bruta é que os espectadores podem consumir bebidas (inclusive, alcoólicas) enquanto assistem ao show. Aliás, há um bar logo na entrada para comprar o que se queira beber. Mas garrafas de vidro não são permitidas, por isso as bebidas são servidas em copos descartáveis de plástico.

Fernet com Coca

Fernet é uma bebida alcoólica feita com ervas e raízes medicinais, como o ruibarbo, a genciana e a quina. Apesar de ter sido criado na Itália, o maior consumidor mundial de Fernet é a Argentina. Como se trata de uma bebida bastante amarga, normalmente, os argentinos tomam Fernet misturado com Coca-Cola, combinação bastante popular em terras porteñas.

as coisas são realmente assim

Para Oscar Wilde, “a vida imita a arte muito mais do que a arte imita a vida”. Mas como é interessante ver os paradoxos da vida encenados artisticamente, como no caso do homem correndo contra diversos obstáculos, cada vez mais rápido, até a morte. A exemplo dessa cena, diversos outros momentos do espetáculo mexem com o imaginário do público e despertam a reflexão sobre nossas vivências cotidianas.

Centro Cultural Recoleta

O Centro Cultural Recoleta está instalado em um dos edifícios mais antigos de Buenos Aires. Aberto de terça a domingo, o Centro abriga exposições de arte, workshops, apresentações de cinema e espetáculos (como o mencionado na história). E há um Hard Rock Café no local.

Além disso, o bairro da Recoleta – onde está o Centro Cultural – é considerado um dos bairros urbanos mais bonitos do planeta, com variedade de praças, cafés, lojas e prédios de luxo. Esse bairro de Buenos Aires também é famoso por concentrar o Museu Nacional de Bellas Artes (MNBA) e o Cemitério da Recoleta. Aliás, o cemitério fica bem próximo ao Centro Cultural e, nos finais de semana, uma feirinha livre é instalada em frente às atrações. Ótima dica de evento para visitar e conhecer um pouco melhor a cultura porteña.

setembro de 2014

A Estante de Viagens alerta que não é sempre que o espetáculo Fuerza Bruta é apresentado no Centro Cultural Recoleta (então, se estiver nos seus planos, atente-se à programação no site do Centro Cultural). Na verdade, o projeto Fuerza Bruta nasceu em 2003 e, desde então, já teve apresentações em 56 cidades de 29 países diferentes com mais de 5 milhões de espectadores. O grupo de artistas também cria novas performances e formas de interação em 360º, introduzindo novidades no espetáculo. Portanto, vale esclarecer que a história faz referência ao espetáculo Fuerza Bruta assistido no Centro Cultural Recoleta de Buenos Aires, em 2014. E é claro que diferentes pessoas podem ter diferentes focos e interpretações da peça artística. Se você já assistiu, comente o que achou.

Fuerza Bruta

O espetáculo Fuerza Bruta garante uma experiência única em cada espectador. Apresentado em 360º, a peça envolve acrobacias, música, dança, efeitos visuais e interatividade com o público. Mas não há diálogos. Ou seja, a barreira do idioma não existe. Não é à toa que o espetáculo já foi apresentado em 29 países e assistido por mais de 5 milhões de pessoas, incluindo diversas celebridades, que saíram de lá impressionadas. Afinal, o espetáculo trata de quebrar paradigmas e mexer com todos os sentidos, é uma explosão de sensações. Vale a pena. 

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