A CAVERNA DE PADIRAC

Uma viagem de conexões profundas.

 

 

Samuel e Eçara conheceram-se em São Paulo.

 

Ela, descendente de indígenas, recém-chegada de Manaus, morena de pele acetinada e dentes bem brancos. Ele, típico paulistano da Zona Oeste, apaixonado por surf e pelas belezas naturais da vida, logo se enamorou da manauara.

 

Agora, comemoravam os dois anos de namoro com uma viagem à Europa. Mas em vez da tradicional escolha por Paris – destino típico dos casais -, preferiram explorar o litoral francês, já que a paixão por natureza lhes falava mais alto.

 

Estavam em Biarritz há dois dias, hospedados no camping Ilbarritz.
Samuel tinha saído pra surfar.

Mas Eçara, amante também da tecnologia, não parava de mandar whatsapp’s para o namorado, falando das descobertas que fazia sobre a região em sua pesquisa no Google.

 

Quando Samuel chegou, ela estava com o notebook no colo, olhando imagens no Pinterest.

 

 

reprodução de busca no Pinterest por Padirac Cave

 

 

– Olha só, amor. – começou Eçara empolgada – É lindíssima a caverna de Padirac. Uma das 7 Maravilhas da França, segundo diz aqui. E nós podemos ficar hospedados em Rocamadour, esta cidade medieval que fica há uns 20 minutos dali. Lá era um lugar de peregrinação. Uma cidade histórica bem em cima de um…

 

– Ei, pausa. Respira. – interrompeu Samuel – Eu acabei de chegar e você não parou de falar um minuto.

 

– Ai, desculpa. Acho que me empolguei. – continuou Eçara – Sempre quis conhecer uma caverna. E essa Gouffre de Padirac parece ser fabulosa.

 

– Que graça tem passar as férias embaixo da terra? – replicou Samuel.

 

 

 

 

– ENTÃO, EU VOU SOZINHA! – decidiu Eçara.

 

Eçara é um nome de origem indígena que significa “ir em busca”. E era exatamente essa natureza livre e selvagem da namorada que mantinha Samuel apaixonado.

 

Ele não discutiu mais. E também não quis confessar à ela o pavor que tinha de lugares fechados – vulga claustrofobia. Entregou as chaves do carro alugado e deixou-a ir.

 

Combinaram que ela partiria no dia seguinte bem cedo a tempo de visitar a caverna ainda. Mas pernoitaria em Rocamadour e voltaria somente no outro dia.

 

 

 

 

Eçara desceu pelas escadas do abismo que davam acesso ao rio subterrâneo de Padirac. À medida que descia, a adrenalina aumentava.

 

Já embaixo da terra, um guia indicou onde ficava o molhe com as canoas atracadas.

Eçara passou por uma parede com projeções de pinturas pré-históricas e seguiu até o molhe. Parou aí, impressionada.

 

A cor da água era esfuziante. Alternando entre o verde e o azul anil caribenho, brilhava refletindo as luzes artificiais da caverna. A transparência total revelava o fundo irregular.

 

Após a travessia de canoa, o passeio continuou a pé.

Lanças calcárias pendiam do teto.

Torres calcárias desafiavam a gravidade.

Eram esculturas porosas similares a gigantescas estruturas ósseas.

Formações minerais seculares, escorrimentos orgânicos de um gotejar eterno.

 

um pedacinho da caverna de Padirac – foto oficial

 

Eçara – junto a outras dezenas de visitantes, todos de casacos e tênis – caminhava sobre passarelas de concreto, cercadas por parapeitos de ferro, instalados especialmente para que pudessem apreciar as melhores vistas da caverna sem causar maiores impactos ao ambiente.

 

Havia escadas especialmente posicionadas. E a iluminação artificial era projetada de forma a favorecer a visualização das estruturas calcárias.

 

Apesar da grande quantidade de visitantes, o turismo sustentável parecia ser a forma francesa de explorar o local. E afinal, dos 40 km de galerias subterrâneas do Gouffre de Padirac, apenas 2,5 km são abertos à visitação.

 

Além disso, as paisagens dos imensos salões calcários subterrâneos, com seus lagos cristalinos, fazia de cada momento do passeio um verdadeiro espetáculo.

 

Eçara saiu das profundezas de Padirac renovada.

O Wi-Fi voltou à ativa.

 

 

 

Animada com tudo que acabara de vivenciar e atiçada pelas brincadeiras de Samuel, Eçara preferiu responder ao namorado com um meme:

 

E como não era permitido fotografar dentro da caverna de Padirac, comprou-lhe um cartão-postal na lojinha local.

Após a noite na esplêndida Rocamadour, Eçara chegou à Biarritz, no dia seguinte, acompanhada de uma chuva constante e pesada.

Samuel estava no camping, resfriado, nem tinha saído pra surfar nesses dois dias.

A chegada da namorada, com o postal em mãos, foi o melhor remédio.

 

 

 

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DICAS E COMENTÁRIOS DA ESTANTE:

 

Biarritz

No sudoeste da França, bem próximo à divisa com a Espanha, à beira-mar, está Biarritz, uma das principais cidades do país basco francês (cultura basca, idioma: euskara). Destino comum de surfistas, Biarritz não tem a ostentação da Côte D’Azur. Os preços são menores e as pessoas, mais low profile. É realmente uma opção diferenciada na França, pela cultura, pela vibe do local e também pelas belas paisagens criadas pelos encontros das falésias com o mar.

CAVERNA de PADIRAC

A caverna de Padirac (Gouffre de Padirac, em francês) está localizada ao norte do departamento de Lot (sudoeste da França, próximo à Dordonha). E não é a única na região que, aliás, concentra também inúmeras grutas e sítios pré-históricos. Mas a visita à caverna de Padirac é singular devido às magníficas paisagens criadas por seus lagos subterrâneos e pelo agradável passeio de canoa nas profundezas da terra. Ao todo, o passeio no subterrâneo dura cerca de 1h30. E pode ser feito entre o final de março e início de novembro. Para mais informações, consulte o site oficial 

 

Paris – destino típico dos casais

Paris é uma das capitais mais visitadas do mundo, por todo tipo de público. Sonho de consumo de muitos turistas, como principal destino de desejo. Além disso, Paris é conhecida mundialmente como Cidade do Amor, sendo considerado um local que inspira romances e paixões. Não é à toa que muitos casais escolhem a cidade para celebrar a lua de mel, as bodas ou apenas avivar o fogo da paixão.

camping Ilbarritz

Este não é um post patrocinado. A ideia aqui não é vender o local, senão narrar uma experiência pessoal, com personagens fictícios, mas com informações reais.

Dito isso, o camping em questão é o Yelloh! Village Ilbarritz , localizado no país Basco, entre Bidart e Biarritz, a 900 m. da praia. O camping conta com alojamentos variados (cabanas), área para barracas e para motorhomes, restaurante, piscina coberta e tobogãs, além de outras áreas e serviços de lazer.

Rocamadour

Rocamadour é uma cidadezinha medieval, instalada à beira de uma falésia, com um castelo no topo e um santuário que é destino de peregrinação há séculos. À noite, a vista da cidade semi-iluminada, destaca-se em meio ao vale do rio Alzou.

Fica a apenas 7 km da Caverna de Padirac, também ao norte do Parque Regional Natural de Causses de Quercy. Para percorrê-la, trata-se basicamente de uma única rua, mas toda pontilhada de história, com portais de pedra, pontes fortificadas, torres, basílicas, capelas, além da magnífica vista do vale e dos inúmeros comércios no meio do caminho, restaurantes, lanchonetes, lojas de produtos típicos e de artesanatos, etc.

Muitos turistas por aqui

A Caverna de Padirac detém o recorde do turismo subterrâneo na França, com mais de 400 mil visitantes por ano, segundo dados da Wikipédia francesa.

escadas do abismo

Pra acessar a Caverna de Padirac é preciso descer 103 m. de profundidade por meio de uma estupenda cavidade natural de 35 m. de diâmetro (o teto da caverna desabou criando esse imenso buraco). A descida pode ser feita por uma imensa escada de metal instalada de um dos lados do abismo ou de elevador, mais rapidamente. A escolha da personagem Eçara em descer pela escada, provavelmente, foi para admirar melhor a paisagem durante todo o percurso.

entrada da caverna – foto oficial do site Gouffre de Padirac

pinturas pré-históricas

Logo no início do passeio pela caverna, antes de chegar ao molhe com os barcos, passa-se por uma parede onde são feitas projeções de algumas imagens, incluindo artes rupestres e outras cenas históricas relativas à região.

Formações minerais seculares

As estalactites e estalagmites são estruturas rochosas compostas por um mineral denominado calcita. Elas se formam a partir da infiltração de águas no solo que penetram pelas rochas, arrastando carbonato de cálcio, e escorrem pelo teto e pelas paredes da caverna, em um gotejamento contínuo. Gota a gota formam-se essas estruturas gigantescas, em um processo bastante lento, crescendo de 6 mm a 25 mm por século.

todos de casacos e tênis

No interior da Caverna de Padirac, a temperatura é de 13o C constantemente. Além disso, o visitante é obrigado a caminhar por boa parte do percurso. Portanto, casacos e tênis confortáveis são bastante recomendáveis.

turismo sustentável

Dos 40 km de galerias já explorados da Caverna de Padirac, apenas 2,5 km são abertos ao público. A iluminação foi instalada de forma calculada, para permitir a visão e realçar a beleza de alguns pontos, mas vai sendo acesa e apagada a medida que o público vai passando, para causar menos prejuízos à caverna. Inclusive, não é permitido aos visitantes tirar fotos dentro da Gouffre de Padirac. Além disso, há passarelas e corrimãos, garantindo a segurança dos visitantes e a integridade das estruturas que não devem ser tocadas. Em comparação a diversas outras cavernas pelo mundo, a de Padirac oferece uma estrutura, talvez mais turística, mas ao mesmo tempo, menos invasiva e com menos impactos à natureza.

 

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